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domingo, 4 de março de 2012

Os Doze Trabalhos de Héracles (Parte II)

Um touro enlouquecido, que soltava fogo pelas
ventas, devastava a ilha de Creta. O sétimo
trabalho de Héracles consistiu em capturá-lo
e trazê-lo vivo a seu primo Euristeu. Esse, por sua
vez, quis consagrá-lo a Hera, mas a deusa, ainda
colérica contra Hércules, recusou, e o animal foi
solto.
A oitava proeza do herói consistiu em capturar as
éguas de Diomedes, o rei da Trácia. Diomedes
aprisionava os estrangeiros que vinham ter a seu país
e com sua carne alimentava os quatro animais.
Héracles matou o rei e deu seu corpo às éguas para
ser devorado por elas.
A filha de Eristeu, Admeta, desejava para si o
cinto da rainha das amazonas, Hipólita; obtê-lo foi o
nono trabalho de Héracles. As amazonas eram
mulheres guerreiras, descendentes de Ares, o deus da
guerra, e tinham uma comunidade formada apenas de
mulheres. Lutavam com grande bravura. Para se
apoderar do cinto da rainha, Héracles teve de lutar
com aquelas mulheres e matar Hipólita.
Trazer os bois do imenso rebanho de Gerião, um
gigante de três cabeças, foi a décima proeza do herói.
Para isso, Héracles teve de ir até a ilha de Eritia,
atravessando o Oceano. Como conseguiria isso? Foi
preciso empregar a enorme taça do Sol; nela, todos
os dias o Sol embarcava de volta para seu palácio no
Oriente depois de ter, ao cair da noite, chegado ao
Oceano. O Sol só lhe emprestou sua taça quando
Héracles, irritado com o calor ao atravessar um
deserto, ameaçou atingi-lo com suas flechas. No
Oceano, tão agitadas estavam as ondas, que Héracles
teve de fazer também a mesma ameaça a ele para que
se acalmasse. Em Eritia, nos confins do Ocidente,
Héracles matou, com sua clava, o cão Ortro, um
animal monstruoso, e o pastor Eritíon, que
guardavam o rebanho. Gerião tentou resistir, mas as
setas de Héracles o venceram. Os animais que o
herói conseguiu fazer chegar até Euristeu foram
sacrificados a Hera.
O décimo primeiro trabalho parecia realmente
impossível: descer ao reino dos mortos, ao sombrio
Hades, e capturar o cão Cérbero. Esse animal
aterrorizante, com três cabeças e as costas e o
pescoço cobertos de serpentes, impedia a entrada de
vivos naquelas regiões bem como a saída dos mortos.
O deus Hades consentiu que Héracles levasse
Cérbero com a condição de que não usasse armas.
Hércules, então, atacou o cão, segurou-o pelo
pescoço e, com a cauda do animal, que tinha um
ferrão, deu-lhe várias picadas. E pôde sair dos
Infernos e levar a Euristeu a estranha presa. O primo,
à vista daquele ser monstruoso, saiu correndo,
apavorado e foi se esconder em seu jarro de bronze...
O herói devolveu Cérbero a Hades.
O último dos doze trabalhos foi trazer maçãs de
ouro do jardim das Hespérides. Essas maçãs tinham
sido o presente de casamento, oferecido pela Terra,
nas bodas de Zeus e Hera. A deusa as plantara no
jardim dos deuses e, para proteger a árvore e os
frutos, deixara-os sob a guarda de um dragão de cem
cabeças e das três ninfas do Poente, as Hespérides.
No caminho para o jardim, Héracles, dentre outras
façanhas, libertou Prometeu do rochedo a que estava
encadeado. Prometeu, em reconhecimento, advertiu-lhe
que a única maneira de conseguir colher os frutos
era através do gigante Atlas, que sustentava o céu
sobre os ombros. Ao encontrar Atlas, Héracles fez-lhe
uma proposta: seguraria o céu em seu lugar por
algum tempo, enquanto o gigante iria colher três
maçãs do jardim das Hespérides, que ficava perto. E
assim aconteceu. Atlas, porém, queria levar
pessoalmente as maçãs a Euristeu, enquanto o herói
ficaria suportando o peso do céu. Héracles fingiu
concordar, mas usou de esperteza para escapar a essa
situação: pediu ao gigante que segurasse aquele
fardo por alguns momentos para que ele pudesse
colocar uma almofada sobre os ombros. Atlas voltou
a segurar o céu —
para sempre..., enquanto
Hércules
partia, de volta à
pátria de Euristeu.
Levadas ao rei, as
frutas foram oferecidas
a Hera, que as
pôs de volta em seu
jardim.


Assim se cumpriram
os doze trabalhos
de Hércules,
doze proezas impossíveis
para os mortais
comuns. 

terça-feira, 12 de abril de 2011

Os Doze Trabalhos de Herácles (Hércules) – Parte I




Herácles casou-se com Mégara e desse
casamento nasceram alguns filhos. Hera,
ainda desejosa de vingar-se do adultério de
Zeus, fez com que o herói, num acesso de loucura,
matasse-os todos, juntamente com sua própria mãe e
os filhos de seu irmão Íficles.
Contaminado por aquele morticínio e desejando se
purificar, Herácles se dirigiu ao oráculo de Delfos a
fim de consultar o deus Apolo através de sua
sacerdotisa, a Pítia. Para expiar seu crime, a
sacerdotisa lhe disse que ele deveria se colocar a
serviço de seu primo Euristeu por doze anos; por
outro lado, com isso conseguiria a imortalidade. O
herói obedeceu às ordens de Apolo.
Euristeu, que era rei de Micenas, temia que seu
primo Herácles quisesse tomar-lhe o poder e
resolveu, então, dar-lhe doze tarefas que pareciam
impossíveis de realizar. Contava, assim, ver-se livre
daquele homem que lhe causava tanto medo.
O primeiro trabalho de Herácles foi matar o leão
de Neméia, um animal monstruoso, que devorava
homens e rebanhos. Esse animal, quando não estava
atacando, escondia-se numa caverna. Primeiramente,
o herói tentou feri-lo com flechas, mas a pele
do leão era invulnerável e nada sofria com esse
ataque. Depois, deu-lhe, com sua clava, fortes golpes
e sufocou-o entre seus braços. Morto o leão,
Herácles tirou-lhe a pele e se cobriu com ela.
Finalmente, Zeus transformou o animal em constelação.
Como segundo trabalho, Herácles teve de matar a
Hidra de Lerna, uma serpente com várias cabeças
(humanas, segundo alguns!) que devastava as terras
por onde passava. Seu hálito era mortífero, e suas
cabeças renasciam em dobro quando cortadas. Além
disso, a cabeça do centro era imortal. Mas, com a
ajuda de seu sobrinho Iolau, o herói venceu o
monstro. De fato, enquanto ia cortando as cabeças da
Hidra, Iolau queimava as feridas, impedindo, assim,
que da carne machucada nascessem novas. Por fim,
Herácles cortou a cabeça do meio, enterrou-a e pôslhe
por cima um enorme rochedo.

Morto o monstro, o herói embebeu suas flechas no seu sangue
venenoso, tornando-as também envenenadas.
A terceira tarefa de Herácles foi trazer vivo um
enorme javali que vivia na montanha chamada
Erimanto, na Arcádia, uma região da Grécia. O herói
o fez com facilidade, atraindo o javali para fora de
sua toca e fazendo-o caminhar pela neve até se
cansar. Aí, capturou-o e levou-o nos ombros até a
cidade de seu primo, que lhe ordenara aquele
trabalho. Quando chegou com o animal, Euristeu,
apavorado, saiu correndo e se escondeu dentro de um
jarro de bronze...
Trazer viva a corça do monte Cerinia foi o quarto
dever imposto a Herácles. Era, também, um animal
gigantesco, mais forte que um touro, e devastava as
colheitas. Tinha chifres dourados, pés de bronze e era
velocíssima. O herói não podia matá-la, pois era um
animal consagrado à deusa Ártemis. Herácles
perseguiu-a durante todo um ano, em vão. Um dia,
porém, quando ela, já cansada, foi atravessar um rio,
Herácles conseguiu feri-la com uma flecha e
capturá-la. E levou-a a Euristeu, cumprindo mais
uma tarefa impossível a um mortal qualquer.
Matar as gigantescas aves do lago Estínfalo foi o
quinto trabalho de Herácles. Eram em grande
quantidade e devastavam colheitas e pomares.
Diziam alguns que eram antropófagas, com penas de
aço que feriam o inimigo como se fossem setas. Para
liquidá-las, Herácles tinha de as fazer sair da espessa
floresta, perto do lago Estínfalo, em que se
ocultavam. Teve uma grande idéia: com castanholas
de bronze, fez um barulho tal, que as aves saíram
daquele esconderijo. Então, usando as setas
envenenadas com o sangue da Hidra de Lerna,
Herácles as matou uma por uma.
O sexto trabalho consistiu em limpar os estábulos
do rei Augias, que tinha um imenso rebanho, com
milhares de cabeças. Esse homem não limpava as
instalações havia trinta anos. O estrume não era
aproveitado como fertilizante nas lavouras, e as
terras iam ficando estéreis com o passar do tempo.
Herácles fez uma aposta com Augias: receberia uma
parte de seu rebanho se conseguisse limpar os
estábulos em apenas um dia. Julgando que aquilo era
impossível, o rei prontamente aceitou a aposta.
Herácles, então, desviou a corrente de dois rios para
os estábulos e, com a maior rapidez, conseguiu
limpar toda a sujeira acumulada ao longo dos anos.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

A Guerra de Tróia (Parte IV)

O calcanhar de Aquiles


O mais bravo dos guerreiros gregos era Aquiles,
o herói de pés ligeiros. Sendo filho de um mortal
com uma ninfa, estava destinado à morte. Mas sua
mãe, Tétis, tentou desesperadamente torná-lo imortal.

Segurando o filho pelo calcanhar, ela o
mergulhava nas águas do Estige, o rio dos Infernos,
que tornava invulnerável o que nele mergulhasse. A
ninfa, porém, não percebeu que o calcanhar, por
onde segurava Aquiles, acabou não sendo tocado por
aquela água miraculosa; assim, essa parte do corpo
do herói seria a única que armas humanas ou divinas
poderiam atingir.

Na sua infância, Aquiles foi educado por um ser
de vastos conhecimentos e muita sabedoria: o
centauro Quirão. Esse mestre, que também educara
outros heróis, ensinou ao menino a medicina, a arte
da caça, a música e muito mais.

Quando os gregos preparavam a expedição para
punir Tróia, Tétis, assustada, já que sabia que o filho
teria vida breve se participasse da guerra, tentou
escondê-lo. Vestiu-o de mulher e o colocou entre as
filhas do rei de Ciros, uma ilha grega. Ali viveu cerca
de nove anos. Chegou a se casar, em segredo, com
uma das filhas do rei.

No entanto, Calcas, o adivinho do exército grego,
advertiu:

— Tróia não cairá se Aquiles não combater ao
nosso lado! Ele está escondido na ilha de Ciros.

Odisseu, então, sempre astuto, descobriu um
modo de fazer Aquiles revelar sua identidade
verdadeira e, assim, ser obrigado a partir para a guerra.

Disfarçou-se de mercador e se dirigiu até Ciros. Ao
exibir suas ricas mercadorias, percebeu que todas as
moças se interessavam pelas roupas, tecidos, jóias e
perfumes que trazia, menos uma; uma delas, apenas,
parecia indiferente a tudo aquilo. Mas ao descobrir, no
fundo de um dos cestos do mercador, armas reluzentes,
aquela moça, na verdade Aquiles, imediatamente as
pegou e manuseou com interesse. Outra versão da
história diz que Odisseu fez ressoar pelo palácio real
uma trombeta de guerra, fazendo todas as moças
fugirem correndo, assustadas; Aquiles, porém,
permaneceu onde estava e pediu armas para combater.

Seja como for, traiu-se, e Odisseu o conduziu para
junto do exército grego. Levava consigo, além de
companheiros de armas, duas pessoas que lhe eram
muito próximas: Fênix, um preceptor, homem já
velho, e Pátroclo, seu maior amigo.
tre.

Lutou bravamente ao lado dos outros gregos, sem
nunca ter visto a queda de Tróia. Quando morreu
Heitor, às mãos de Aquiles, as amazonas vieram em
socorro da cidade. O herói lutou com elas e matoulhes
a rainha, Pentesiléia, que combatia com o rosto
coberto. Ao receber o golpe mortal, o rosto da
amazona se descobriu. Frente a frente com a beleza
extraordinária das faces de Pentesiléia, quando ela já
desfalecia, Aquiles sentiu um misto de amor e
compaixão.

Dizem alguns que um outro amor ajudaria a
provocar sua morte. Apaixonado por uma das
cinqüenta filhas de Príamo, Políxena, marcou com
ela um encontro. Páris, irmão da moça, preparou-lhe
uma emboscada. Quando Aquiles chegou ao lugar
combinado, o troiano acertou-lhe o calcanhar com
uma flecha. Mas há quem diga que Aquiles morreu
no campo de batalha, ferido por uma flecha do deus
Apolo, que ordenara que ele se retirasse sem que o
jovem obedecesse. Naquele momento, Aquiles
conseguira chegar perto das muralhas troianas;
Apolo, então, guiou a flecha disparada por Páris até
o ponto fraco do grego.

Depois de lhe queimarem o corpo, os
companheiros puseram suas cinzas numa urna de
ouro, misturadas com a do amigo Pátroclo. Ao
permanecer lutando em Tróia, fizera sua escolha:
viver uma vida breve e gloriosa, ao invés de
envelhecer na terra natal, como um desconhecido
qualquer.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

A Guerra de Troia (Parte III)

A morte de Heitor


Após fazer as pazes com Agamêmnon, Aquiles
retornou ao campo de batalha, onde
guerreava com fúria. Rápido por causa de
seus pés ligeiros, parecia um corcel galopando a toda
velocidade ou uma estrela brilhando através da
planície. Tomado por um mau pressentimento, o rei
Príamo suplicou a seu filho Heitor que não o
enfrentasse. Hécuba, sua mãe, em lágrimas, fez-lhe a
mesma súplica. O troiano, porém, estava decidido a
não ceder ao apelo dos pais.

No entanto, quando Heitor avistou Aquiles, com
sua armadura de bronze brilhando como um fogo ou
o sol nascente, teve medo e fugiu. Aquiles voou atrás
dele, perseguindo-o sem descanso. Estava em jogo,
naquela corrida, a vida de Heitor. Assistiam a esse
espetáculo não só gregos e troianos mas também os
deuses; Zeus sentiu piedade do filho de Príamo.

Os heróis corriam sem que um conseguisse
alcançar o outro. O pai e rei dos deuses, então, pesou
numa balança de ouro os destinos dos dois: o
resultado indicou claramente que a vida do troiano
estava por um fio. Diante disso, Apolo, que até então
o vinha protegendo, abandonou-o.

Para precipitar a morte de Heitor, Atena se
transformou no mais querido dentre seus irmãos,
Deífobo, e o estimulou a ir ao encontro de Aquiles.

Heitor disse ao grego estas palavras:

— Não vou mais fugir. Dei três voltas ao redor
dos muros de Tróia sem ousar enfrentá-lo, mas agora
basta. Se eu vencer, devolverei seu corpo aos seus
companheiros e, se for você o vencedor, devolva
meu corpo aos meus.

— Não diga isso, maldito!, respondeu Aquiles.
Nunca poderemos ser amigos, assim como acontece
com o homem e o leão, com o lobo e o cordeiro, que
se odeiam. Você pagará pelos sofrimentos dos meus
companheiros mortos pela sua lança.

Depois destas palavras, Aquiles atirou a lança
contra Heitor. Como este se desviou, a arma foi se
fincar no chão. A própria Palas Atena a pegou de
volta e, sem ser vista pelo troiano, entregou-a a
Aquiles. Heitor, porém, atirou a sua contra o herói,
atingindo o centro de seu escudo. O troiano, irritado,
de repente percebeu que o falso Deífobo não estava
mais do seu lado; compreendendo que fora vítima
dos deuses, deu-se conta de que sua morte já estava
próxima. Resolveu morrer lutando: desembainhou a
espada e se precipitou contra Aquiles.

No entanto, o grego fere o pescoço de Heitor,
num ponto deixado descoberto pela armadura que o
troiano portava, a mesma que tomara de Pátroclo. Ao
vê-lo tombar na poeira, Aquiles lhe diz palavras
duras; Heitor ainda lhe dirige um pedido:

— Suplico-lhe, por seus pais, não deixe meu
corpo sem sepultura, não o entregue aos cães dos
gregos. Aceite resgate em troca dele e o devolva a
Tróia.

— Ah!, cão, deixe de súplicas. Nem se Príamo
quisesse comprar com ouro o seu corpo, eu o
entregaria. Cães e aves o devorarão, replica o grego.

Morto Heitor, Aquiles lhe furou os calcanhares,
passou por eles correias de couro, amarrou, pelos
pés, o corpo a seu carro e partiu em direção aos
navios gregos. Ao assistir a essa cena, a mulher de
Heitor, Andrômaca, depois de um desmaio,
chorando, pôs-se a lamentar a sorte do marido, dela
mesma e do filho pequeno de ambos, Astíanax. Tróia
toda acompanhava seu pranto.

Enquanto isso, também Aquiles chorava,
pensando em Pátroclo. E todos os dias, ao nascer do
sol, tomado de fúria, voltava a ligar o corpo de Heitor
a seu carro e dava três voltas em torno do túmulo do
amigo. Apolo, porém, encarregava-se de evitar que o
corpo do troiano se desfigurasse com o tratamento
que vinha recebendo. Até que, dez dias depois, o
deus, indignado, assim falou aos outros habitantes do
Olimpo:

— Cruéis! Por acaso Heitor não fazia sacrifícios
a todos vocês? E agora não querem salvar nem
mesmo seu corpo para que seus familiares possam
incinerá-lo, prestando-lhe
todas as homenagens?
Vocês querem é
ajudar Aquiles, que
tem no peito um coração
intratável, como
um leão feroz. O que
ele faz com o corpo de
Heitor não é nem belo
nem justo.

Mas Zeus, lembra:
-Aquiles cuida do ferimento de seu amigo
Pátroclo.
do dos sacrifícios que Heitor sempre lhe fazia, pôs
em prática um plano para fazer Aquiles entregar o
corpo do inimigo a seu pai. Chamou Tétis ao Olimpo
e encarregou-a de enviar a seu filho uma mensagem:

-os deuses estavam irritados com seu comportamento,
por isso ele deveria devolver o corpo de Heitor aos
troianos. Por outro lado, mandou Íris, a mensageira
divina, a Príamo, para estimular o velho rei a ir
oferecer presentes a Aquiles como resgate pelo corpo
do filho.

Ao ouvir as palavras de Zeus pela boca da mãe,
Aquiles se comprometeu a aceitar o resgate. Quanto
a Príamo, após receber o recado de Íris, consultou a
esposa, mas Hécuba lhe disse que não fosse ao
encontro daquele homem cruel; finalmente, o rei
resolveu ir mesmo
assim ao encontro do
grego. Levava-lhe,
entre outros presentes,
belíssimos mantos,
túnicas e moedas
de ouro. Zeus o viu
partindo e enviou o
deus Hermes para
protegê-lo no caminho.

Chegando à tenda
de Aquiles, Príamo o
encontrou ainda à
mesa; tinha acabado
de comer e beber.
Em atitude de quem suplica, segurou-lhe os joelhos e
beijou a mão que tinha matado tantos filhos seus.

Disse-lhe:

— Lembre-se, Aquiles, de seu pai, que tem a
mesma idade que eu. Ele se alegra por saber que
você está vivo e aguarda com ansiedade que seu filho
volte para casa. Mas a mim, não me restou nenhum
dos filhos de valor que gerei. Você matou o último,
Heitor, que protegia Tróia e seu povo. Venho resgatar
seu corpo, trazendo muitos presentes. Respeite os
deuses, Aquiles, e, pensando em seu velho pai, tenha
piedade de mim. Eu sou o mais infeliz dos mortais,
já que levo aos lábios a mão do homem que matou
meus filhos!

A essas palavras, Aquiles, pensando no pai e em
Pátroclo, chorou, acompanhando as lágrimas de
Príamo por Heitor. Finalmente, tomou a palavra:

— Infeliz, você sofreu muito em seu coração!
Deixemos ambos nossas dores encerradas no peito:
não se ganha nada com o pranto. Zeus distribui aos
homens bens e males, misturados. Suporte!
Chorando assim, não fará seu filho reviver mas
conseguirá apenas sofrer ainda mais.

Aquiles, então, mandou que as escravas lavassem
o corpo de Heitor e o untassem com óleo. Concluída
essa tarefa, colocaram-lhe uma túnica. O próprio
Aquiles o levantou e depositou no carro. Depois disso,
convidou Príamo a comer junto com ele. Príamo
observava, admirado, o grande e belo Aquiles, que
parecia um deus; Aquiles, por sua vez, admirava o
rosto nobre de Príamo.

Antes de irem dormir, o jovem prometeu ao velho
rei que haveria uma trégua para que ele e os seus
pudessem prestar as honras devidas ao corpo de
Heitor. Temendo por Príamo, que estava em campo
de inimigos, o deus Hermes veio a ele, incitou-o a
partir e guiou-o em direção a Tróia. Chegaram
quando a Aurora estendia seu manto sobre toda a
terra.

Dez dias depois, ardia na pira o corpo de Heitor.
Quando, no dia seguinte, a Aurora de dedos cor de
rosa despontou, a multidão se reuniu em torno dela
e prestou as últimas homenagens àquele homem que
tinha conseguido conter o avanço do inimigo por
tantos anos.

Este foi o fim de Heitor, o herói domador de
cavalos.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

A Guerra de Tróia (Parte II)

A ira de Aquiles


No décimo ano do cerco à cidade de Tróia, os
gregos foram surpreendidos por uma terrível
peste, enviada pelas setas do deus Apolo. Os
animais foram os primeiros a serem atingidos, mas
logo a doença contaminava os homens, multiplicando
pelo acampamento as piras erguidas para
incinerar os mortos. Condoído pela sorte dos seus,
Aquiles reuniu o exército. Conhecedor do presente,
passado e futuro, o adivinho Calcas tomou a palavra
perante a assembléia dos gregos:

— Apolo está irritado com a ação de
Agamêmnon. Como todos sabem, o rei maltratou o
sacerdote do deus, quando este veio reclamar de
volta a filha Criseida, aprisionada e escravizada por
ele na cidade de Tebas da Mísia. Agamêmnon não
quis devolver a moça ao pai; enquanto isso não
ocorrer, Apolo nos infligirá dores sem conta.

Agamêmnon enfureceu-se com aquelas palavras,
mas comprometeu-se a restituir a sua presa de
guerra, desde que obtivesse uma compensação.

Suspeitando que o rei desejava tirar-lhe sua escrava
Briseida para substituir a filha do sacerdote, Aquiles
ferveu de indignação:

— Despudorado, cão, nós o seguimos até aqui
para que seu irmão Menelau se vingasse da afronta
dos troianos, e você ameaça tirar-me Briseida? Eu
lutei tanto para capturá-la! Vou retirar-me para a
minha cidade natal. Não quero ficar aqui, humilhado,
conquistando bens e riquezas só para você.

— Vá embora, então — replicou Agamêmnon. -
Você só aprecia disputas, guerras e batalhas. Já que
me levam Criseida, tomarei para mim a sua Briseida,
escrava de bela face, para que saiba como sou mais
poderoso do que você.

O filho de Peleu, Aquiles, ardeu de tamanho ódio
que chegou a pensar em matar o rei. Foi então que,
enviada por Hera, que queria proteger um e outro,
Palas Atena desceu à terra e puxou Aquiles pelos
cabelos loiros. Só o herói conseguia vê-la; perguntou-
lhe o que ela fazia por ali.

— Vim para acalmar sua ira, disse Palas Atena, a
deusa de olhos azuis. Não use a espada contra o rei,
mas o maltrate apenas com as palavras. Um dia, por
causa da violência que estão fazendo a você, esses
mesmos homens lhe
darão o triplo de
bens. Por isso, contenha
seu ódio e obedeça!

Aquiles, então, obedecendo,
desistiu de
usar a espada, mas
cobriu o rei com pesados
insultos; Agamêmnon
replicou com a
mesma dureza. Permaneceram
os dois
cada qual em sua
posição, uma disputa que seria prejudicial aos
gregos. Após a dissolução da assembléia, Aquiles
retirou-se para sua tenda, acompanhado do fiel
amigo Pátroclo e de outros companheiros. Cruzava
os braços, deixando o exército grego entregue à
própria sorte. Pouco depois, vieram buscar a sua
escrava Briseida, que o herói deixou partir.

Sozinho à beira-mar, Aquiles chorava e invocava
a mãe, a deusa Tétis, de pés argênteos. Queixava-se
de não receber a honra que os deuses lhe prometeram
em sua breve vida. Surgindo dos abismos do mar
como uma névoa, a deusa acariciou o filho e, ao
saber o motivo daquele pranto, prometeu-lhe
queixar-se pessoalmente a Zeus de uma tal afronta.

Doze dias depois, quando o supremo rei e pai dos
deuses retornou de uma viagem à África, Tétis,
abraçada a seus joelhos, como era costume quando se
suplicava a alguém, falou-lhe assim:

— Zeus pai, se eu, entre os imortais, alguma vez
te ajudei, atende à minha súplica: concede honra a
meu filho, destinado a uma morte precoce. Dá vitória
e glória aos troianos enquanto os gregos não
atribuírem a ele as honras devidas.

Apesar de temer a ira da esposa Hera, que apoiava
os gregos, Zeus comprometeu-se a atender ao
pedido, franzindo as sobrancelhas num sinal de
aprovação; seus cabelos de ambrosia se agitaram e
todo o Olimpo tremeu.

Dias de derrotas se sucederam para os gregos, que
sentiram na pele a falta que fazia Aquiles, o herói de
pés ligeiros. Sempre mais desconsolados a cada dia
que passava, os gregos resolveram enviar uma
embaixada de conciliação à tenda do herói. Mas
Aquiles recusou os ricos presentes que lhe traziam e,
dentre muitas outras palavras, proferiu estas:

— Minha mãe Tétis disse-me que o destino me
reservava uma escolha: se eu permanecer em Tróia,
combatendo, morrerei conquistando grande glória,
mas se eu voltar para casa, terei uma vida longa,
ainda que sem glória. Voltem, vocês todos, pois não
verão jamais o fim da cidade de Príamo. Amanhã
decidirei se voltarei para casa ou permanecerei aqui.

Acumulavam-se os sofrimentos dos gregos.
Pátroclo, então, o grande companheiro de Aquiles,
pediu-lhe que, ao menos, permitisse que ele usasse
sua armadura e suas armas para ir em ajuda aos
companheiros. Aquiles consentiu.

No campo de batalha, Pátroclo faz grande
carnificina entre os inimigos troianos, mas Apolo
intervém. Dissimulado em uma densa névoa, o deus
chega perto de Pátroclo, golpeia-o na espinha e nos
ombros e derruba o elmo de sua cabeça. Heitor,
então, o maior dentre os guerreiros troianos, passaria
a usar aquele capacete que outrora protegia Aquiles e
jamais tinha caído ao chão antes daquele momento.

Apolo continua a agir sobre Pátroclo; rompem-se
a lança e o cinturão que o herói trazia consigo; cai
por terra o seu escudo, e o deus ainda lhe tira a
couraça. O herói pára, completamente aturdido. Um
troiano de nome Euforbo o fere, enterrando uma
lança nos seus ombros. Heitor, percebendo que
Pátroclo está ferido e procura se salvar retirando-se
da batalha, fere-o com uma lança no ventre. O
troiano parecia um leão vitorioso depois de disputar
com um javali indomável a posse de uma mina de
água. Diz Heitor:

— Pátroclo, você estava certo que iria tomar de
assalto a nossa cidade e escravizar as mulheres
troianas. Tolo! Os abutres o devorarão! Aquiles não
poderá mais proteger você.

Mas Pátroclo ainda teve forças para responder:

— Isso mesmo, Heitor, você se vangloria com
uma vitória que Apolo e Zeus lhe deram; mas foram
os deuses que tiraram minhas armas. Mas ouça bem
o que tenho a lhe dizer: Você não irá muito longe;
logo virão ao seu encontro a morte e o destino
invencível. Morrerá às mãos de Aquiles.

Depois de assim falar, a alma lhe voou dos
membros e desceu ao reino dos mortos, o sombrio
Hades, lamentando sua sorte, já que deixava um
corpo há pouco cheio de vigor e juventude. Heitor
dirigiu ao morto estas palavras:

— Pátroclo, por que me prediz terrível destino?
Talvez Aquiles me preceda, ferido pela minha lança.

Então o troiano arrancou a sua arma do corpo do grego
e pisou-o.

Foram levar a notícia a Aquiles, que naquele
momento tinha o coração inquieto e a mente cheia de
receios. Já pressentia a morte do companheiro. Ao
receber a confirmação de suas suspeitas, o herói
demonstrou sua aflição: cobriu de cinzas o rosto e a
veste e caiu por terra arrancando os cabelos. Chorava
e gritava desconsolado.

Aninfa Tétis ouviu os lamentos do filho e gemeu;
todas as ninfas do mar acompanharam sua dor e
choraram. A mãe foi consolar Aquiles, que se sentia
culpado pela morte do amigo e pretendia voltar ao
combate para vingar a morte de Pátroclo.

Tétis prometeu ao filho novas armas, já que as
dele haviam sido tiradas do corpo de Pátroclo e agora
pertenciam a Heitor. A promessa logo se cumpriu. A
pedido da ninfa, armas novas foram fabricadas pelo
deus ferreiro, Hefesto. Chamava a atenção,
sobretudo, um grande escudo em que o deus
representara a terra, o mar, o céu com seus astros,
além de cidades e campos. Quando a Aurora do dia
seguinte despontou, trazendo a luz aos mortais e
imortais, Tétis levou ao filho as armas fabricadas por
Hefesto. Encontrou-o chorando, abraçado ao corpo
do amigo.

Aquiles, então, dirigiu-se a Agamêmnon e disse-lhe
que desistia de sua ira; pediu-lhe que esquecesse
a disputa que os tinha separado. O rei, por sua vez,
devolveu-lhe Briseida e confirmou que lhe daria
todos os presentes prometidos quando da embaixada
à tenda do herói. Estava selada a reconciliação, para
desgraça dos troianos. Aira de Aquiles iria ter, agora,
outro alvo.

terça-feira, 8 de junho de 2010

A História de Teseu

A história de Teseu e das aventuras extraordinárias vividas por esse herói constituem algumas das mais interessantes páginas da Mitologia grega.
Nascido em Trezendo e educado por Etra, sua mãe, desde muito pequeno Teseu revelou grande valor e coragem. Contava apenas sete anos de idade, quando Hércules, que ele tomaria como modelo, foi visitar a sua cidade, sendo recebido com especiais homenagens, inclusive um grande banquete.

Para ficar instalado com mais conforto à mesa do festim, Hércules despiu a pele de leão com que habitualmente se cobria, deixando-a no chão. As crianças, muito naturalmente, sentiam-se atraídas pela figura do gigante sobre o qual tanta coisa se falava, e aproximavam-se, desejosas de contemplar de perto o grande homem.

Deparando com a pele de leão, assustavam-se e fugiam.

Teseu, porém, não imitou os seus companheiros. Convencido de estar diante de um leão de verdade, um leão vivo, arrancou a clave de um escravo que se encontrava próximo e marchou, decidido, contra a "fera"...

A coragem e a decisão da criança provocaram aplausos e Hércules vaticinou-lhe um brilhante futuro. Ao atingir a adolescência, armado com uma espada que fora de seu pai, Teseu transportou-se a Atenas, de cujo trono era herdeiro, na sua qualidade de filho de Egeu.

Entendeu ele, porém, que antes de dar-se a conhecer e reclamar o poder, deveria fazer-se digno de tão alta honraria, realizando trabalhos que o dignificassem e causassem admiração aos seus contemporâneos. Começou para ele, então, uma fase de grandes aventuras. A primeira teve por cenário a Ática, que estava infestada por terríveis bandidos chefiados por um certo Silis ou Cercion — homem de grande força e maior crueldade.

Para dar uma idéia da poderosa força do bandido é bastante dizer que ele estraçalhava com as mãos as mais fortes feras da floresta e fazia vergar o tronco das árvores. Aliás uma das principais "distrações" do cruel bandido, ao dobrar as árvores, era amarrar nas copas das mesmas os seus inimigos e, em seguida, soltar, repentinamente a árvore, despedaçando, assim, o infeliz que se encontrava amarrado no topo.

Teseu procurou o bandido, deu-lhe combate e sem maiores dificuldades, matou-o. Teve, então, que isolar-se, a fim de purificar-se do sangue que derramara, para o que realizou grandes sacrifícios diante do altar de Zeus.

Quando se considerou limpo daquele sangue imundo, o herói demandou a cidade de Atenas onde a confusão era geral. A cidade estava sendo governada, em nome de Egeu, por uma feiticeira chamada Medéia, que, sabedora da sua presença, planejou envenená-lo, ou melhor, concebeu o sinistro projeto de fazer com que fosse envenenado pelo próprio pai. Para isso convenceu Egeu, que não podia saber que o jovem era seu filho, pois não o via há muito tempo, a convidar o moço para um dos banquetes que comumente oferecia.

Quando Teseu ia levar aos lábios a taça em que se encontrava vinho envenenado, algo de imprevisto aconteceu. Egeu reconheceu a espada que Teseu trazia. Só poderia ser seu filho quem a portava. Num gesto rápido, afastou do moço a taça fatal e, furioso, expulsou Medéia da cidade, ordenando-lhe que nunca mais aparecesse, sob pena de ser morta.

Mas o Rei Egeu tinha um irmão, chamado Palas, que possuía vários filhos. Sentiu-se, ele, prejudicado pela presença de Teseu, que fazia ruir os belos planos que vinha arquitetando para apoderar-se do governo da cidade.

Por isso planejou uma conspiração destinada a perder definitivamente o jovem Teseu. Mas o plano foi descoberto e Teseu matou Palas e seus filhos. Teve, então, segundo o costume da época, de afastar-se de Atenas durante um ano, findo o qual regressou para ser julgado pelo tribunal que se reunia no templo de Apolo.

Os juizes estudaram o procedimento de Teseu, as circunstâncias, os fatos, as conseqüências e absolveram o jovem. Por esse tempo Atenas vivia torturada pelo pesado tributo em vidas humanas que se via obrigada a pagar a Minos, rei de Creta.

O caso é que um filho de Minos, Androgeu, que fora a Atenas participar de certos jogos, vencendo-os, despertara a inveja e o ciúme de muitos jovens atenienses que, despeitados, o assassinaram. Minos, muito naturalmente, ficou indignado com o fato, resolvendo impor aos atenienses um severo castigo.

Eles deveriam, cada ano, enviar sete rapazes e sete moças, escolhidos mediante sorteio, para alimentarem o Minotauro — furioso animal, metade homem, metade touro — que vivia encerrado no Labirinto.

Esse Labirinto, um dos caprichos do Rei Minos, era um estranho palácio repleto de corredores, curvas, caminhos e encruzilhadas, onde uma pessoa se perdia, jamais conseguindo encontrar a saída depois de transpor a sua entrada. Era aí que ficava encerrado o terrível Minotauro, que espumava e bramia, jamais se fartando de carne humana.

Havia três anos que Atenas pagava o pesado tributo e suas melhores famílias choravam a perda de seus filhos. Teseu resolveu preparar-se para enfrentar o monstro, oferecendo sacrifícios aos deuses e indo consultar o oráculo de Delfos. Invocado o deus, a pitonisa informou a Teseu que ele resolveria o caso desde que fosse amparado pelo amor...

- Eu vou, meu pai. Só eu posso dar fim a esse horror!


Cansado dessas mortes inúteis, Teseu resolve tomar o lugar de uma das vítimas e, se puder, matar a terrível criatura. Egeu acaba cedendo:


– Então, vá. Mas, se você voltar são e salvo, troque a vela negra do navio por uma branca. Assim, vendo o barco, eu já de longe fico sabendo que você está vivo.

Teseu promete obedecer ao pai e embarca para Creta.

Encorajado, Teseu fêz-se incluir entre os jovens que deveriam partir na próxima leva de "carne para o Minotauro". Ao chegar a Creta adquiriu a certeza de que sairia vitorioso, pois a profecia do oráculo começou a realizar-se.

Quando chegou à Creta, Minos ridicularizou a sua afirmação de ser filho de Poseidon, e desafiou-o a recobrar um anel atirado ao mar. Teseu recebeu das ninfas do mar não apenas o anel, mas também a coroa dourada de Tétis.

Durante toda a noite, Teseu esforça-se para tranqüilizar seus companheiros. De repente, anunciam ao jovem príncipe ateniense que alguém quer falar com ele. Muito surpreso, Teseu vê entrar uma bela moça, que ele já viu ao lado do trono de Minos. Ela lhe diz:


– Jovem estrangeiro, eu me chamo Ariadne e sou a filha do rei Minos. Quando vi seu ar decidido, compreendi que você veio para matar o Minotauro. Mas será que já pensou numa coisa? Mesmo que mate o monstro, nunca vai conseguir sair do Labirinto...

Teseu fica confuso, pois Ariadne tem razão. Ele não pensou nesse problema!

Percebendo o constrangimento do rapaz, ela acrescenta:

– Desde que o vi, fiquei interessada por você. Estou disposta a ajudá-lo se, depois, você se casar comigo e me levar para Atenas.

Assim fica combinado.

Com efeito, a linda Ariadne, filha do poderoso Minos, apaixonou-se por Teseu e combinou com ele um meio de encontrar a saída do terrível labirinto. Um meio bastante simples: apenas um novelo de lã, e lhe deu uma espada para que ele matasse o Miotauro.


Ariadne ficaria à entrada do palácio, segurando o novelo que Teseu iria desenrolando à medida que fosse avançando pelo labirinto. Para voltar ao ponto de partida, teria, apenas, que ir seguindo o fio que Ariadne seguraria firmemente. Estava resolvido, pois, um dos mais graves problemas da empresa e, resoluto, Teseu avançou.

Cheio de coragem penetrou nos sombrios corredores do soturno labirinto. A fera, mal pressentiu a chegada do moço, avançou, furiosa, fazendo tremer todo o palácio com a sua cólera. Calmo e sereno, Teseu esperou a sua arremetida. E então, de um só golpe, decepou-lhe a cabeça com a espada que Ariadne lhe deu.

Quando fica sabendo do que aconteceu, o rei Minos enfurece-se e ordena à frota que impeça a fuga. Os navios que ainda estão em condições de navegar tentam bloquear o barco grego, e começa uma batalha naval. Mas, com o cair da noite, Teseu aproveita-se da escuridão e consegue escapar esgueirando-se entre as naus inimigas.


Vitorioso, Teseu partiu de Creta, levando em sua companhia a doce e linda Ariadne, regressando a Atenas.
Alguns dias depois, o navio chega à ilha de Naxo. Teseu resolve fazer uma escala para reabastecimento. Vaidoso com a vitória, só tem um pensamento na cabeça: a glória que encontrará em Atenas. Imaginando sua volta triunfal, os gritos de alegria e de reconhecimento da multidão que virá aclamá-lo, apressa-se em partir. Dá ordem de levantar âncora, esquecendo Ariadne, que fica adormecida na praia.

Quando desperta, a princesa vê o navio já ao longe, quase desaparecendo no horizonte. Só lhe resta lamentar sua triste sina.
Bem, essa parte sa história é contada de diferentes maneiras. Uma das versões diz que Teseu abandonou Ariadne por ondem da deusa Athena. Ela dormiu e ele foi embora sem ela, mas o deus Dionísio a encontrou e a confortou, e dela se enamorou, fazendo-a chefe das suas seguidoras. A outra versão é bem mais favorável a Teseu. Ariadne estava com muito enjôo por causa do movimento do mar, e ele a deixou na beira da praia para que ela pudesse se recuperar, enquanto voltou ao barco para fazer alguns reparos. Um vento muito violento carregou o barco para o mar e o manteve lá por bastante tempo. Quando Teseu voltou, encontrou Ariadne morta, e ficou completamente desesperado.


Enquanto isso, Teseu aproxima-se de Atenas. Está tão entretido com seus sonhos de glória que também esquece de, conforme prometeu ao pai, trocar a vela negra por uma branca.
Desde a partida do filho, o velho Egeu não teve um único momento de repouso. Todos os dias, subia à Acrópole e ficava olhando as ondas, esperando avistar o navio com a vela branca. Pobre Egeu! Quando o barco enfim aparece, está com a vela preta. Certo de que Teseu está morto, o rei desespera-se e quer morrer também. Joga-se ao mar e afoga-se. Por isso, desde esse tempo o grande mar que banha a Grécia chama-se mar Egeu.

Dizem que durante o seu reinado ele unificou a Ática, e criou leis para as três classes de proprietários de terras, agricultores e artesãos. Ficou famoso pela sua proteção aos servos e escravos espezinhados, para quem o seu túmulo continuou sendo um santuário ao longo da História. Pirítoo, rei dos Lápitas, pilhou o seu gado, como um desafio, mas os jovens guerreiros simpatizaram um com o outro, no campo de batalha, e juraram amizade eterna. Teseu tomou parte na Caçada ao Javalí da Caledônia, e na batalha dos Pápitas e dos centauros, e dizem que emulou os feitos de Héracles (Hércules). Numa incursão contra as amazonas, raptou Hipólita, a rainha. Mais tarde, como vingança, o povo dela invadiu a Ática; mas Hipólita foi para o campo de batalha ao lado de Teseu e morreu com uma flechada. Antes disso, contudo, tivera dele um filho, Hipólito.


Após a morte dela, Teseu mandou buscar a filha mais moça do rei Minos, Fedra, e casou-se com ela. A esta altura Hipólito já era um jovem belo e forte, dedicado à equitação e ao casto culto de Ártemis, a divindade tutelar de sua mãe. Não demorou para que Fedra se apaixonasse desesperadamente por ele, e enviasse a sua velha ama para relatar ao jovem a sua paixão. Após a recusa chocada de Hipólito, ela se enforcou, deixando uma carta em que o acusava de estuprá-la. Teseu, convencido da versão da mulher pela sua morte, expulsou o filho de casa e invocou a maldição mortal confiada a ele por seu pai, Poseidon. Enquanto Hipólito guiava o seu coche pela estrada rochosa do litoral, o deus enviou uma onda gigantesca, carregando na crista um touro-marinho, que fez estourar os cavalos. O corpo esmagado de Hipólito foi devolvido a Teseu, que só viera a saber da verdade tarde demais.

Daí por diante, a sorte de Teseu o abandonou.Ao lado do amigo Pirítoo, raptou Helena de Esparta, mais tarde resgatada por seus irmãos Castor e Pólux. Enquanto ajudava Pirítoo na tentativa de rapto de Perséfone, ficou confinado no submundo, em sofrimento, durante quatro anos, ao fim dos quais Héracles o libertou. Ao voltar para Atenas, encontrou-a mergulhada na desordem e na sedição. Não conseguindo restabelecer a lei na cidade, amaldiçoou-a e partiu para Creta. No caminho, parou em Ciros, onde, atraiçoado por seu anfitrião, caiu ao mar do alto de um penhasco."


Depois de sua morte, porém, os atenienses, arrependidos, foram a Ciros buscar suas cinzas e ergueram-lhe um templo magnífico.

Este Mito, que tem sido objeto de investigações dos historiadores, parece indicar que Atenas, durante muito tempo, esteve dominada pelos reis de Creta, que lhe exigiam pesados tributos. O episódio de Teseu e do Minotauro deve indicar uma revolução que libertou os atenienses.

Escavações realizadas na ilha de Creta, no início do século, revelaram a existência de um grande palácio provido de imensos corredores que lembravam um labirinto. Por outro lado, afirmam os especialistas que existem elementos que permitem dizer que os reis de Creta usavam, em certas festas e cerimônias religiosas, máscaras representando cabeças de touros...

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Teseu e o Minotauro, Dédalo e Ícaro

Na ilha de Creta reinava Minos. Um dia,
Possêidon enviou-lhe, surgido do mar, um
touro, que o rei lhe deveria sacrificar. Minos,
porém, guardou para si o animal. Aesposa de Minos,
Pasífae, apaixonou-se pelo animal. Essa paixão deve
ter sido uma vingança de Possêidon, o rei do mar, ou
de Afrodite, a deusa do amor, de cujo culto a rainha
tinha descuidado.

Vivia em Creta um célebre arquiteto, escultor e
inventor, Dédalo. Foi esse homem quem construiu
para Pasífae uma novilha de bronze, oca, para que a
rainha, pondo-se em seu interior, pudesse atrair o
touro. Assim Pasífae se uniu àquele animal. Da união
nasceria um monstruoso homem com cabeça de
touro — o Minotauro.

Quando nasceu o filho de Pasífae e do touro,
Minos, envergonhado, fez com que Dédalo
construísse um labirinto para aí deixar aquela criança
monstruosa. Com seus inúmeros corredores, salas e
galerias, criados de maneira a fazer perder a direção
e confundir até o mais astuto dos homens, o labirinto
só era dominado pelo próprio Dédalo: quem ali
entrasse, não conseguiria mais sair.

Com o passar dos anos, o Minotauro foi
crescendo no labirinto, longe dos olhares das
pessoas. Ora, Minos, tendo derrotado os atenienses
em batalha, exigiu deles um tributo sinistro: todos os
anos, Atenas deveria enviar sete rapazes e sete moças
para serem devorados pelo Minotauro. Pode-se
imaginar o terror que deveria se apossar de quem,
perdido na confusão dos caminhos tortuosos, sentia
aproximar-se de si aquela criatura grotesca que
habitava o labirinto... Disposto a pôr um fim a essa
situação, o herói ateniense Teseu foi um dia a Creta,
junto com os outros jovens destinados à morte certa.
Quando Teseu chegou à ilha, Ariadne, filha de
Minos e Pasífae, apaixonou-se pelo jovem.

Desejando salvá-lo da morte no labirinto, a moça lhe
deu um novelo com um fio: Teseu deveria desenrolálo
à medida que penetrasse naquele emaranhado.

Quem tivera a idéia fora Dédalo. Foi assim que o
herói, depois de matar o Minotauro, encontrou
facilmente a saída, seguindo o caminho criado pelo
fio de Ariadne.

Ao saber do que ocorrera, Minos, enfurecido,
aprisionou Dédalo e seu filho Ícaro no labirinto, pois
julgava que o arquiteto tinha sido cúmplice daquela
traição. Haveria de ser a morte para os dois, se
Dédalo, sempre astucioso e inventivo, não tivesse
encontrado um meio de escapar. Fez, com penas de
aves coladas com cera, um par de asas para si e outro
para o filho.

Antes de saírem por uma das altas janelas do
labirinto, Dédalo fez uma recomendação a Ícaro.

Que ele, sob hipótese alguma, se aproximasse do sol;
deveria voar nem muito alto nem muito baixo, entre
o céu e a terra. Partiram.

Mas Ícaro não obedeceu ao conselho paterno.

Chegando demasiado perto do sol, a cera das asas
derreteu, e as penas dispersaram-se nos ares. De
repente o moço se viu agitando braços nus.

Chamando em vão pelo pai, Ícaro caiu nas águas
azuis do mar Egeu